| O Brilho dos Pássaros | Sinopse | Prefácio de Glória Perez |
Editora Nova Era (Record) ISBN: 85-01-04809-7 153 páginas
Leia um conto sobre o mesmo tema:
|
O brilho dos pássaros é uma narrativa fictícia sobre o que nos acontece após a morte. Sem o objetivo de doutrinar, o romance assume um tom leve, coloquial, diferente da tradicional literatura espírita que trata do mesmo tema.
O livro é todo narrado na primeira pessoa por Eduardo, um rapaz doce e bem humorado de apenas 20 anos, que não tinha qualquer credo ou religião.
Após morrer num acidente logo no início do livro, Eduardo passa a descrever com sua linguagem simples tudo o que vê (e em geral assusta) no plano astral: a reação de seus amigos, de sua família; as fantásticas e oscilantes auras dos vivos; seus encontros com outros espíritos; suas lembranças de outras vidas... |
Li de um fôlego só. O Carlos escreve bonito, fluente, faz a gente sentir junto com a personagem todas as sensações confusas de alguém que desperta sob uma outra forma e tem que adaptar a consciência a um novo modo de existir. Não é um livro doutrinário: antes de mais nada, é um romance que a gente lê com prazer e interesse. A idéia central é que, depois da morte do corpo físico, a energia que somos se mistura a todas as outras formas de energia. Assim, a personagem Eduardo vai experimentando as mais diferentes formas de vida. Pode entrar numa pedra e viver a sensação de ser pedra, pode entrar no mar e viver a sensação de ser líquido. E a gente vai vivendo junto com ele os estranhamentos e as maravilhas de todas essas novas possibilidades de ser. O vôo de Eduardo é absolutamente solitário; não existem doutrinadores, mestres, não existe ninguém que ensine a ele qual foi o sentido de sua vida na Terra nem qual é o sentido do que lhe acontece agora: ele está tão entregue a si mesmo quanto esteve em sua existência material. Não sou espírita, não sei se é assim depois da morte, mas seria belo se fosse. Depois, não é preciso ter fé para gostar deste livro: basta que se goste de ouvir histórias - e o Carlos Luz é um excelente contador de histórias. |
|
Alguns trechos |
||
|
"Sentei-me ao lado da Letícia e ficamos conversando somente entre nós dois. O Mauro e a Fernanda abriram mão de fazer o mesmo para salvar o Marcelo de ficar sozinho com a chata, senão ela podia ficar reclamando que o fogo estava muito quente, que tocavam violão muito alto, ou que as estrelas cintilavam demais." "Olhei para o meu corpo físico procurando sinais de respiração, mas o peito estava imóvel. No meu corpo astral também não existia pulsação, apesar da grande aflição que eu vivia. Eu continuava a ver e a pensar, mas não ouvia nada a não ser minha voz, não respirava, e não tinha mais um coração batendo dentro de mim. Tentei ver a minha própria aura, mas não consegui, nem no meu corpo físico, nem no meu corpo astral. Não era uma experiência fora do corpo. Eu estava morto." |
||
|
"Marcelo apareceu de repente, gritando e gesticulando muito, parecia reclamar de alguma coisa com os policiais. Um deles passou a responder também gritando, o clima se tornava tenso, as auras dos dois brilhavam demais. Era muito estranho não ouvir nada naquela gritaria. As pessoas se afastavam, faziam uma roda em torno para assistir a tudo, era o acontecimento do mês em Mauá." "Ela passava os dias andando para lá e para cá o tempo todo, pedindo um cigarro quando tinha vontade de fumar, um copo de água quando tinha sede, às vezes falava sozinha... Meu Deus, ela não falara sozinha desta vez, ela falara comigo! Fiquei completamente chocado com este pensamento: ela não era louca, ela conseguia ver os espíritos dos mortos! Quando todos pensavam que ela falava sozinha, ela estava, na verdade, conversando com pessoas que mais ninguém conseguia ver!" "De repente Augusto entrou no quarto e foi direto abrir meu armário. O que ele queria ali? De qualquer jeito, não iria ser tão fácil, a porta estava trancada, como eu sempre a deixava, e a chave estava dentro da minha mochila em Mauá. Após descobrir isto, Augusto saiu do quarto e pouco depois voltou com várias chaves, provavelmente dos outros armários da casa. Experimentou todas elas uma a uma, mas nenhuma abriu aquela porta. Augusto então segurou nos puxadores e sacudiu com muita força, até conseguir arrombar a porta. Fiquei puto! Mas que absurdo, é só a gente morrer que as nossas coisas passam a ser tratadas desse jeito! Ele não podia esperar a mochila voltar de Mauá, não? Ele abriu o armário, procurou alguma coisa coisa por um instante e depois apanhou o meu único terno, colocando-o em cima da cama. Agora eu entendia: ele estava separando as roupas com as quais eu seria enterrado." |
||
| Compre Nas Livrarias Virtuais | ||
|
Quarta capa de Waldemar Falcăo |
||
|
Em seu romance de estréia, Carlos Luz se revela uma agradável surpresa. Com uma narrativa ágil, coloquial e muito bem engendrada, ele nos faz partilhar da perplexidade de Eduardo, narrador e personagem central da história, que se descobre morto depois de um acidente, e sem saber que destino tomar. Os desdobramentos da súbita e inesperada "morte" de Eduardo criam situações novas a cada página, reservando surpresas mesmo para aqueles versados nos ensinamentos espiritualistas. Outra grande qualidade: não existe a pretensão doutrinadora. A sensação de solidão que se segue à perplexidade inicial do narrador não dá espaço para proselitismos em favor desta ou daquela corrente de pensamento. A familiaridade de Carlos Luz com a fenomenologia paranormal faz com que ele saiba dosar com maestria as descobertas de Eduardo - como a descrição da aura dos pássaros que dá título ao livro - com o desenrolar da trama, culminando num desfecho surpreendente. |
||
|
Leia também |
||